Enquanto que a maior parte das actividades na Internet relacionadas com o cibercrime são motivadas por lucros financeiros, outras motivações começam a surgir no ciberespaço. É o caso do Hacktivism . Este conceito, incentivado por questões culturais e geopolíticas, é considerado uma combinação de duas palavras: “hacking” e “activism”, tradicionalmente conhecidas como expressões ligadas a agitações sociais.
A Wikipedia define Hacktivism como, “... a utilização não violenta legal ou ilegal de ferramentas digitais ambíguas com fins políticos. Estes instrumentos incluem a utilização de sites maliciosos, redireccionamentos, denial-of-service, roubo de dados, sit-ins virtuais, sabotagem e desenvolvimento de software”.
O Hacktivism não é uma ameaça actual. Na realidade, surgiu pela primeira vez há cerca de 20 anos, mas só nos últimos 2 anos se tornou mais frequente e com fins maliciosos. O incidente regional mais notável de Hacktivism ocorreu com os ataques Distributed Denial of Service (DDoS) contra o governo e sites corporativos da Estónia, em 2007, que deram origem a um diálogo mundial sobre as verdadeiras ameaças dos “ciber ataques” e o seu impacto nas infra-estruturas nacionais.
No entanto, as últimas vítimas de Hacktivism são preferencialmente os Estados Unidos e vários sites da Europa do Leste pertencentes à Rádio Europa Livre / Radio Liberty. No final de Abril foi relatado que, “...o ataque que se iniciou a 26 de Abril tinha inicialmente como alvo o website da RFE / RL 's Bielorússia Service, mas rapidamente se estendeu a outros sites...”. De acordo com uma declaração da Rádio Free Europe / Radio Liberty, o site foi “atingido por um ataque denial-of-service numa escala sem precedentes, sendo que recebemos até 5 mil falsos acessos por segundo”.
Apesar dos incidentes de Hacktivism não serem novidade, estão a tornar-se cada vez mais frequentes, por um lado devido à disponibilidade de ferramentas para a realização de actos corruptos - hacktivist, e por outro lado devido à omnipresente rede social de mecanismos, utilizados para obter consensos em tempos de agitação política ou cultural e sempre que se apresente uma oportunidade.
Em qualquer dos casos, o Hacktivism está a tornar-se uma tendência preocupante que pode ter graves repercussões que interfiram com a continuidade operacional da Internet, algumas vezes de formas inovadoras que ainda não são realidade nem passam pelo pensamento dos utilizadores.